O Horário de Verão
O ritmo predominante no organismo humano é de cerca de 25
horas e, não é fácil de ser contido no dia de 24 horas.
Acertá-lo implica em ganhar uma hora a cada dia ou suprimir
funções vitais. O descanso semanal oferece a chance de por em
dia a necessidade biológica atrasada.
Quando a semana recomeça, gera-se a “Síndrome da
Segunda-feira”, devido ao reinício da compressão de 25 horas em
24 horas. O uso da luz elétrica, o barulho noturno e a
concorrência de programas alternativos têm prolongado a vigília
a noite.
Muitas pessoas, no fim-de-semana, partem para uma
descontração prolongada a partir da sexta à noite. Esse atraso
acaba virando “insônia de domingo à noite”, o que torna mais
penoso levantar na segunda feira. Mas, a sociedade Neo-liberal
vem exigindo mais disciplina e dedicação.
A Desadaptação ao ciclo vigília-sono manifesta-se nas grandes
cidades do 1º mundo, pela insônia de 35% da população. Agravadas
nas cidades brasileiras, a insônia parece dobrar, ligada a
desorganização social: altos índices de atraso, de sonolência
diurna, de irritação e depressão, baixos rendimentos nos
trabalhos e na escola, maiores taxas de erro, de violência, de
acidentes e de mortalidade no trabalho e no trânsito.
As principais causas são: a baixa qualidade de vida,
resultante da falta de planejamento urbano (áreas residenciais
mescladas com áreas comerciais e boêmias), o alto índice de
demolição e construção civil, os veículos, equipamentos e
eletrodomésticos barulhentos e indivíduos transgredindo a
individualidade alheia. Junte-se ainda á vida estressada e
competitiva a crise e as mudanças da economia neo-liberal.
Mas se os processos biológicos ou sociais dominarem entra-se
no atraso e muita gente apresenta dificuldade de dormir, de
levantar-se á hora certa ou de acompanhar o ritmo de vida. É
muito mais simples ceder e prolongar o sono do que disciplinar o
organismo para adiantar o ritmo biológico.
A maioria não consegue se enquadrar e pode até passar a
desfruta da maior iluminação natural, apesar da hora avançada,
arcando com as consequências. No próximo verão, começa tudo de
novo, sendo perdido todo um semestre de vaivém. Assim, o melhor
seria que o horário de verão fosse adotado por todo o ano, de
forma a permitir que as pessoas se adaptassem definitivamente.